retalhos de mim... pedaços ao léu... palavras no tempo... um começo... outro fim... poemim...
novembro 30, 2011
Era pouco mais que 5 da tarde! (24/11/2011)
Minha mãe se foi hoje ao final da tarde... Era um pouco mais que 5 da tarde... Uma tristeza sem dimensão, uma sensação incongruente! Ficar em paz e' preciso, navegar e' preciso, neste viver impreciso...
Para sempre, mamãe!
Sempre gostei desta poesia Para Sempre, do Drummond... Em mim, resta a certeza de que mamãe e' para sempre, aqui em nosso pensamento, e no cosmos de energias supremas! Ah! sou tão pequenina, migalha do grão de milho, mas se eu tivesse poder sobre o mundo baixaria uma outra lei: mãe não sofre dor nem cansaço da vida, nunca, nunca...!
PARA SEMPRE (Carlos Drummond de Andrade)
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
PARA SEMPRE (Carlos Drummond de Andrade)
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Dentro de mim a dor do poemim...
Ando devagar, sem pressa, não vou atropelar meu passo...
nunca fui de saltar etapas...
Em algum lugar ficou meu sorriso,
esperando que eu ainda vá chorar demais...
certeza quase nenhuma, só que tão pouco sei, ou nada sei...
Ainda longe de me sentir mais forte,
buscando coragem pra voltar a ser feliz... quem sabe?
E' que hoje me sinto qual sanfona...
ora abro o pensamento pras melhores lembranças, a continuidade e celebração da vida...
ora fecho o coração em duas semanas de sofrimento...
Preciso voltar ao passo de viver e não ter a vergonha de ser feliz...
Como ao amanhecer, em mim
um musgo espera o primeiro raio de sol...
Crisálida encapsulada, há uma borboleta em mim...
uma espera do meu momento...
abrir asas ao vento,
enfim...
Nada soa tão bem assim,
parece longe o começo do fim,
anda ainda sem fim
A dor do meu poemim...
nunca fui de saltar etapas...
Em algum lugar ficou meu sorriso,
esperando que eu ainda vá chorar demais...
certeza quase nenhuma, só que tão pouco sei, ou nada sei...
Ainda longe de me sentir mais forte,
buscando coragem pra voltar a ser feliz... quem sabe?
E' que hoje me sinto qual sanfona...
ora abro o pensamento pras melhores lembranças, a continuidade e celebração da vida...
ora fecho o coração em duas semanas de sofrimento...
Preciso voltar ao passo de viver e não ter a vergonha de ser feliz...
Como ao amanhecer, em mim
um musgo espera o primeiro raio de sol...
Crisálida encapsulada, há uma borboleta em mim...
uma espera do meu momento...
abrir asas ao vento,
enfim...
Nada soa tão bem assim,
parece longe o começo do fim,
anda ainda sem fim
A dor do meu poemim...
novembro 08, 2011
Palavra escondida
de vez em quando venho aqui, quase a sapear
como se meus não fossem estes retalhos...
passo tempos apenas a olhar
como se nada houvesse pra costurar...
passa o tempo e eu a descrer...
alguma colagem minha vale a pena ler?
a colagem que faz esta colcha é um eterno in-completar...
em escritos do passado
muitos retalhos sem lugar,
outros tantos já recortados
sobram ainda sem coser...
minhas linhas de costurar andam a se soltar,
palavras alinhavadas
nas beiradas
em fiapos a se desfiar...
faltam laçadas
pra rematar...
ao coser pontos com tanta cautela
perco o momento, apaga-se a vela...
foi-se a palavra...
algures se esconde o não-poema...
da ponta dos dedos escoa um verso absorto,
outro morto!
torna-se vão o quase-escrito
mero rabisco...
coleciono retalhos pra nunca serem colados
não-seres amorfos, em mim enfurnados...
até quando, ensaios frustrados?
parca palavra, tua rima tão fraca não vale um florim...
se ao menos tivesses um aroma de alecrim...
ou fosses da cor da flor, vermelha, rubra, tinta feito carmim
se tivesses o gosto doce do mingau de aipim
de um bom-bocado, ou de um deguste de quindim
ou o sabor inesquecível de um grelhado de surubim
se fosses tão forte quanto uma tora de angelim
se riqueza mostrasses qual um palácio de mandarim
ou em lágrimas caísses como no rosto do arlequim
se voasses qual acrobata saltando em mortais de um trampolim
se ao menos viesses amendoada como se fosses nascida em Pequim
ou voasses majestosa correndo os céus qual zepelim
ou soasses qual melodia dedilhada em um bandolim
ou ritmasses qual a batida do tamborim
ou tinisses qual o chamado madrugador de um clarim
ou brindasses aos bêbados surdos bamboleantes no balcão de um botequim...
ou fizesses tal alarido qual jogadores de pebolim
se ao menos trouxesses em eco fiel, do meu olhar um verbatim
ou se qual parasita, algum sinal deixasses de teus ocultos rastros de chupim
(se ao menos curasses minha dor dorsal como tão bem faz a tintura de rosmarim)
(ou carregasses a mim, qual no oriente se leva alguém importante num palanquim)
se viesses qual mágico gênio, servindo a mim como a Aladim
se voltasses em mesma rota qual tartarugas, baleias e filhotes de pinguim
se viesses a mim qual se eu fosse o Pan, invocando a fada pirlimpimpim
talvez te enrolasse qual faço no prato com uma garfada de talharim
ou te encaracolasse qual meu cabelo feito em rosquinhas de pixaim
e prendendo-te assim te usaria cada letrinha tintim por tintim
talvez até te publicasse num folhetim...
palavra sutil
se irrequieta corres de mim, qual um moleque, um curumim
se foges arisca, ao menos não sejas hostil,
bem sabes, não posso deixar-te assim
desaparecer
até te perder...
perder-te seria o fim...
melhor ver-te vez ou outra tal qual um outrossim...
perder-te é o mesmo que perder a mim
no esconde-esconde do meu poemim...
(novembro,7, 2011)
como se meus não fossem estes retalhos...
passo tempos apenas a olhar
como se nada houvesse pra costurar...
passa o tempo e eu a descrer...
alguma colagem minha vale a pena ler?
a colagem que faz esta colcha é um eterno in-completar...
em escritos do passado
muitos retalhos sem lugar,
outros tantos já recortados
sobram ainda sem coser...
minhas linhas de costurar andam a se soltar,
palavras alinhavadas
nas beiradas
em fiapos a se desfiar...
faltam laçadas
pra rematar...
ao coser pontos com tanta cautela
perco o momento, apaga-se a vela...
foi-se a palavra...
algures se esconde o não-poema...
da ponta dos dedos escoa um verso absorto,
outro morto!
torna-se vão o quase-escrito
mero rabisco...
coleciono retalhos pra nunca serem colados
não-seres amorfos, em mim enfurnados...
até quando, ensaios frustrados?
parca palavra, tua rima tão fraca não vale um florim...
se ao menos tivesses um aroma de alecrim...
ou fosses da cor da flor, vermelha, rubra, tinta feito carmim
se tivesses o gosto doce do mingau de aipim
de um bom-bocado, ou de um deguste de quindim
ou o sabor inesquecível de um grelhado de surubim
se fosses tão forte quanto uma tora de angelim
se riqueza mostrasses qual um palácio de mandarim
ou em lágrimas caísses como no rosto do arlequim
se voasses qual acrobata saltando em mortais de um trampolim
se ao menos viesses amendoada como se fosses nascida em Pequim
ou voasses majestosa correndo os céus qual zepelim
ou soasses qual melodia dedilhada em um bandolim
ou ritmasses qual a batida do tamborim
ou tinisses qual o chamado madrugador de um clarim
ou brindasses aos bêbados surdos bamboleantes no balcão de um botequim...
ou fizesses tal alarido qual jogadores de pebolim
se ao menos trouxesses em eco fiel, do meu olhar um verbatim
ou se qual parasita, algum sinal deixasses de teus ocultos rastros de chupim
(se ao menos curasses minha dor dorsal como tão bem faz a tintura de rosmarim)
(ou carregasses a mim, qual no oriente se leva alguém importante num palanquim)
se viesses qual mágico gênio, servindo a mim como a Aladim
se voltasses em mesma rota qual tartarugas, baleias e filhotes de pinguim
se viesses a mim qual se eu fosse o Pan, invocando a fada pirlimpimpim
talvez te enrolasse qual faço no prato com uma garfada de talharim
ou te encaracolasse qual meu cabelo feito em rosquinhas de pixaim
e prendendo-te assim te usaria cada letrinha tintim por tintim
talvez até te publicasse num folhetim...
palavra sutil
se irrequieta corres de mim, qual um moleque, um curumim
se foges arisca, ao menos não sejas hostil,
bem sabes, não posso deixar-te assim
desaparecer
até te perder...
perder-te seria o fim...
melhor ver-te vez ou outra tal qual um outrossim...
perder-te é o mesmo que perder a mim
no esconde-esconde do meu poemim...
(novembro,7, 2011)
novembro 07, 2011
Minha amiga poetisa
Tão bom ter escritos de Ana Cecilia de novo em minha pasta de arquivos recebidos... e lidos...
Inspirada amiga, as palavras que se desenrolam de sua escrita fazem reflexos no fundo de meus olhos... Tantos entrelaçamentos em múltiplos significados de viver sentir amar sensibilizar.
Amo ler sua poesia. Gosto de ver as palavras se desenrolando enrolando o pensamento em mil redemoinhos de sons e signos. Se fosse comida seria da mais bem temperada saborosa poesia!
Que coisa boa ter alguém como minha amiga Ana Cecília, pra me dar este prazer da leitura de palavras sensíveis!
Quero mais!
Quero as não lidas, as não blogadas, as recém saídas da ponta dos dedos...
(novembro, 7, 2011)
Inspirada amiga, as palavras que se desenrolam de sua escrita fazem reflexos no fundo de meus olhos... Tantos entrelaçamentos em múltiplos significados de viver sentir amar sensibilizar.
Amo ler sua poesia. Gosto de ver as palavras se desenrolando enrolando o pensamento em mil redemoinhos de sons e signos. Se fosse comida seria da mais bem temperada saborosa poesia!
Que coisa boa ter alguém como minha amiga Ana Cecília, pra me dar este prazer da leitura de palavras sensíveis!
Quero mais!
Quero as não lidas, as não blogadas, as recém saídas da ponta dos dedos...
(novembro, 7, 2011)
outubro 06, 2011
Gota de mim... ainda um poemim...
Ando sem rumo...sem prumo...
vou ao fundo de mim...
enfim...
soltas mechas de cabelo arrumo...
me aprumo...
ando como sem mancar pudesse
como se nenhuma dor houvesse...
como se mostrar coragem quisesse...
dia chegando de um não desejado retorno...
como sem medo de saber
qual medo me espreita de morrer...
seria apenas outra lição de crescer?
dormir... sonhar... rever... voltar... viver...
em caminho torto recuso a ciência do escolher...
qual zumbi sou apenas errante vagante...
sem ser livre de amarras de mim
ao peso do saber, chego... enfim...
repouso quase encharcada sobre a gota de um poemim...
vou ao fundo de mim...
enfim...
soltas mechas de cabelo arrumo...
me aprumo...
ando como sem mancar pudesse
como se nenhuma dor houvesse...
como se mostrar coragem quisesse...
dia chegando de um não desejado retorno...
como sem medo de saber
qual medo me espreita de morrer...
seria apenas outra lição de crescer?
dormir... sonhar... rever... voltar... viver...
em caminho torto recuso a ciência do escolher...
qual zumbi sou apenas errante vagante...
sem ser livre de amarras de mim
ao peso do saber, chego... enfim...
repouso quase encharcada sobre a gota de um poemim...
agosto 16, 2011
Sumida de novo? busco onde haverá algum retalho de mim... me encontro lá fora ou aqui dentro de mim...
antes que se torne eterno sumiço voltei pra costurar recentes retalhos...
tenho estado no livro de rostos... la, retalhos menores foram tecidos, uma colcha de retalhos ganhou a cara de muitos dos meus amigos... ando sumida daqui e de alhures, sem entretanto parar nas andanças dos caminhos meus...
os escritos que fiz não registrei... Esparsos retalhos a serem recolhidos em caixas de guardados... a busca de mim ainda presente, minha pena anda em volta do que meu espirito pressente...
solidão, desilusão, amor em alta, paixão...
canto em cantos e margens, recantos de mim...
enfim, traços desenhos retalhos de mim... reencontro aqui e ali um e outro poemim...
tenho estado no livro de rostos... la, retalhos menores foram tecidos, uma colcha de retalhos ganhou a cara de muitos dos meus amigos... ando sumida daqui e de alhures, sem entretanto parar nas andanças dos caminhos meus...
os escritos que fiz não registrei... Esparsos retalhos a serem recolhidos em caixas de guardados... a busca de mim ainda presente, minha pena anda em volta do que meu espirito pressente...
solidão, desilusão, amor em alta, paixão...
canto em cantos e margens, recantos de mim...
enfim, traços desenhos retalhos de mim... reencontro aqui e ali um e outro poemim...
março 13, 2009
sumida 2
andei sumida daqui e de alhures...
retorno qual saindo de um sonho
será mesmo que sonhei?
seja o que for, ainda não me lembrei...
encontrei empilhados tantos fazeres,
uns ainda intocados,
outros começados,
incompletos,
todos aí, por fazer...
revisito um a um os meus lugares,
abro janelas afasto nesgas de cortinas...
olho arredores,
busco algo familiar...
preciso encontrar algum elo,
ao menos um anelo...
parece que ainda me perco ao voltar...
sei que cheguei, reconheço cada lugar...
mas, inteira? não estou...
por certo não sou mais a que sumiu...
ainda não sei se, de fato, voltei...
retorno qual saindo de um sonho
será mesmo que sonhei?
seja o que for, ainda não me lembrei...
encontrei empilhados tantos fazeres,
uns ainda intocados,
outros começados,
incompletos,
todos aí, por fazer...
revisito um a um os meus lugares,
abro janelas afasto nesgas de cortinas...
olho arredores,
busco algo familiar...
preciso encontrar algum elo,
ao menos um anelo...
parece que ainda me perco ao voltar...
sei que cheguei, reconheço cada lugar...
mas, inteira? não estou...
por certo não sou mais a que sumiu...
ainda não sei se, de fato, voltei...
Sumida
Ando sumida
será que fugi?
ando esquecida
por onde andei?
morri?
espreguicei
bocejei...
já sei...
apenas dormi...
será que fugi?
ando esquecida
por onde andei?
morri?
espreguicei
bocejei...
já sei...
apenas dormi...
junho 28, 2008
Luiz meu irmão [8mai2007]
Luiz, meu irmão, /é um poeta de além tempo...
Sua emoção, /em verso, é transbordamento.
Seu coração, /em lágrima, verte o sentimento...
Sua canção, /em sonho, torna o pensamento.
Sua imaginação, /em caminho, sem retraimento, /é desdobramento, e quer ser pressentimento...
Nunca em vão, /cada palavra sua parece oração, /e eleva o pensamento.
Amo você, meu irmão, para além dos tempos, /em todos os espaços, /para além dos limites da nossa fraterna alma.
A sua alma, meu irmão, à imagem de outro poeta, /não querendo, e nem podendo, ser pequena, /tudo faz valer a pena!
Sua emoção, /em verso, é transbordamento.
Seu coração, /em lágrima, verte o sentimento...
Sua canção, /em sonho, torna o pensamento.
Sua imaginação, /em caminho, sem retraimento, /é desdobramento, e quer ser pressentimento...
Nunca em vão, /cada palavra sua parece oração, /e eleva o pensamento.
Amo você, meu irmão, para além dos tempos, /em todos os espaços, /para além dos limites da nossa fraterna alma.
A sua alma, meu irmão, à imagem de outro poeta, /não querendo, e nem podendo, ser pequena, /tudo faz valer a pena!
junho 21, 2008
Pois é, papai...
Tem dias que a saudade ainda dói, do seu rosto afilado, do seu abraço apertado, da sua voz rouca, da risada sonora, do olhar que entra na alma, ora amedronta, e ora acalma... Do seu braço em volta da minha cintura e da sua mão firme, segurando a minha nos ensaios dos passos de uma valsa, um bolero, mesmo um tango, você que foi o meu professor de dança, desde quando eu ainda era criança... Do seu aperto de mão, veias saltadas nas costas da mão e no braço, onde eu achava engraçado apertar, só pra ver a veia baixar e voltar... Até da tarefa de fazer os seus pés, raspar os calos que cresciam nos mesmos lugares em que crescem os meus, hoje... eu que tinha aquela incumbência (que eu não sabia o quanto era nobre!) de aliviar suas pisadas, as fisgadas que machucavam o seu caminhar calçado em botas de couro fino especiamente feitas, de cano alto... Há uns dias tirei do meu pequeno baú este escrito do dia de sua passagem, outro retalho de mim, um poemim, um guardado que marcava, no fundo de mim, o término da sua presença física, talvez mesmo da sua companhia, nesta viagem... Transcrevo prá acalentar o sentimento... É que a sensação de sua presença ao lado de mim tem sido tão forte... Sinto você acompanhando os passos que ando, parece que amparando quando me vê tropeçando... O apoio firme de seu braço, mesmo quando o sinto um tanto trêmulo, afasta meu tremor, e me tira o cansaço...
Pois é, papai... [1992, 23set]
Tantas frases, / histórias, memórias /passado distante, passado presente / jogo do futuro, incógnita!!
Se eu soubesse / se a gente soubesse / que tanto que se fazia, que se doia, /que se tornava em novas histórias...
Riso contido, lágrimas escorrendo / por dentro, roendo, / findando...
Nós, meu pai, querendo que fosse apenas mais uma de nossas velhas conhecidas histórias...
Sobre nós sabemos nós. / Sobre você, que chamamos senhor, soubemos devagarinho, / pingo a pingo, gota a gota, daquele seu sofrer...
E crescemos, meu pai... / Como você pôde, ainda, trazer um espaço prá nosso crescimento, / assim, / tão no fim...
Um dia, quem sabe, / a gente faz um pouco daquilo que, no seu entendimento, / era um sonho a buscar.
Mas, saiba, / se para isso você passou por aqui, construiu sim um elo entre nós / até o seu fim nos aproximou...
Quem sabe, um dia / a gente consiga chegar /onde você enxergou
Vamos tentar... / Fique por aí, torcendo, esperando. / Vamos ligar, / cada dia, cada hora.
Observe... Vamos tropeçar... / Você sabe, não é?
Mas estamos por aqui, tentando... A nosso jeito... talvez você ache bem feito!
Sabe que até ouço seu riso?... satisfeito?
Pois é, papai... [1992, 23set]
Tantas frases, / histórias, memórias /passado distante, passado presente / jogo do futuro, incógnita!!
Se eu soubesse / se a gente soubesse / que tanto que se fazia, que se doia, /que se tornava em novas histórias...
Riso contido, lágrimas escorrendo / por dentro, roendo, / findando...
Nós, meu pai, querendo que fosse apenas mais uma de nossas velhas conhecidas histórias...
Sobre nós sabemos nós. / Sobre você, que chamamos senhor, soubemos devagarinho, / pingo a pingo, gota a gota, daquele seu sofrer...
E crescemos, meu pai... / Como você pôde, ainda, trazer um espaço prá nosso crescimento, / assim, / tão no fim...
Um dia, quem sabe, / a gente faz um pouco daquilo que, no seu entendimento, / era um sonho a buscar.
Mas, saiba, / se para isso você passou por aqui, construiu sim um elo entre nós / até o seu fim nos aproximou...
Quem sabe, um dia / a gente consiga chegar /onde você enxergou
Vamos tentar... / Fique por aí, torcendo, esperando. / Vamos ligar, / cada dia, cada hora.
Observe... Vamos tropeçar... / Você sabe, não é?
Mas estamos por aqui, tentando... A nosso jeito... talvez você ache bem feito!
Sabe que até ouço seu riso?... satisfeito?
março 26, 2008
retalhos de um bar [23jan98]
Som ou tom? Mudo ou surdo?
Surdomudejando... desejando!!!
Vozes, copos, som fundo do mundo, ou som mudo do surdo?
Copo, som, vibração cor do tom...
Now that you're near tomorrow'll be too late, is't too much to be fate?
it's now or never... or w'll it be ever never late?
Som atabaque... achaque? Vibra coração!
Aqui ou nunca? Agora, ou lá onde... não sei não!!!
Surdomudejando... desejando!!!
Vozes, copos, som fundo do mundo, ou som mudo do surdo?
Copo, som, vibração cor do tom...
Now that you're near tomorrow'll be too late, is't too much to be fate?
it's now or never... or w'll it be ever never late?
Som atabaque... achaque? Vibra coração!
Aqui ou nunca? Agora, ou lá onde... não sei não!!!
março 12, 2008
garimpei... achei! [12mar08]
Hoje, encontrei completa uma poesia de Fernando Pessoa que busco há exatos quatro anos. Foi donde minh'irmã caçula tirou uns versos pra uma lembrança do primeiro aniversário da sua neta. No imã de geladeira, a carinha de olhos bem abertos, o sorriso de bebe feliz e o verso inspirado ficavam a instigar uma busca (é preciso garimpar a obra poética, encontrar aquela poesia!). No enquanto, monto em retalhos outro canto...
Como jotacristo / que em Pessoa até foi rima / amo as crianças e não entendo de finanças... / Mas, menos que isto, / heureca! tenho biblioteca... / Lugar onde fujo de mim, e me escondo... às vezes até me encontro... / Nos livros que li, em lendas e contos, / tanta fantasia, e muita poesia... / Em Pessoa me encantam a palavra enredada, / o começo e o fim, a idéia em tranças... / seus arranjos do tempo, veredas pro meu pensamento... / Sem perceber são horas que passo a ler e reler... / como se aos mundos do Poeta eu fosse volver... / Assim foi que agorinha / topei com a tal obra prima, / liberdade do cancioneiro era a própria, / a tão procurada...
Transcrevo pra quem quiser re-conhecer mais uma do Pessoa, em ironico modo de ver... (será bem vindo qualquer complemento, por exemplo, a tal citação de Sêneca que estaria faltando).
Liberdade [Fernando Pessoa / Cancioneiro] (Falta uma citação de Sêneca)
Ai que prazer / Não cumprir um dever, /Ter um livro para ler /E não o fazer!
Ler é maçada. / Estudar é nada. / O sol doira /Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal, / Sem edição original. / E a brisa, essa, / De tão naturalmente matinal, / Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. / Estudar é uma coisa em que está indistinta /A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma, / Esperar por D. Sebastião, / Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... / Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca / Só quando em vez de criar, seca.
O mais do que isto / É Jesus Cristo, /Que não sabia nada de finanças /Nem consta que tivesse biblioteca...
Como jotacristo / que em Pessoa até foi rima / amo as crianças e não entendo de finanças... / Mas, menos que isto, / heureca! tenho biblioteca... / Lugar onde fujo de mim, e me escondo... às vezes até me encontro... / Nos livros que li, em lendas e contos, / tanta fantasia, e muita poesia... / Em Pessoa me encantam a palavra enredada, / o começo e o fim, a idéia em tranças... / seus arranjos do tempo, veredas pro meu pensamento... / Sem perceber são horas que passo a ler e reler... / como se aos mundos do Poeta eu fosse volver... / Assim foi que agorinha / topei com a tal obra prima, / liberdade do cancioneiro era a própria, / a tão procurada...
Transcrevo pra quem quiser re-conhecer mais uma do Pessoa, em ironico modo de ver... (será bem vindo qualquer complemento, por exemplo, a tal citação de Sêneca que estaria faltando).
Liberdade [Fernando Pessoa / Cancioneiro] (Falta uma citação de Sêneca)
Ai que prazer / Não cumprir um dever, /Ter um livro para ler /E não o fazer!
Ler é maçada. / Estudar é nada. / O sol doira /Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal, / Sem edição original. / E a brisa, essa, / De tão naturalmente matinal, / Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. / Estudar é uma coisa em que está indistinta /A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma, / Esperar por D. Sebastião, / Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... / Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca / Só quando em vez de criar, seca.
O mais do que isto / É Jesus Cristo, /Que não sabia nada de finanças /Nem consta que tivesse biblioteca...
momento de mim [sd]
Antenas ligadas, / narinas abertas, / poros molhados, / coração acelerado.
Olhos acesos, / mãos frias, / ouvidos antenados.
Respiração ofegante, / orelhas levantadas, /sombrancelhas erguidas, /cabelos arrepiados,
Testa franzida, /andar agitado.
Perna, pra que te quero bamba?
Que sucede de tão invisível, indizível? / Que coisa é que sem se ver, sabe-se?
Algo no ar está por acontecer... / Será bom? Será o que?
Sinais no corpo, / sensação é de urgência.
Boca seca, num instante, / noutro, a saliva / toda intensidade...
Vazio no estômago, / suspiro. / Ansiedade!
Olhos acesos, / mãos frias, / ouvidos antenados.
Respiração ofegante, / orelhas levantadas, /sombrancelhas erguidas, /cabelos arrepiados,
Testa franzida, /andar agitado.
Perna, pra que te quero bamba?
Que sucede de tão invisível, indizível? / Que coisa é que sem se ver, sabe-se?
Algo no ar está por acontecer... / Será bom? Será o que?
Sinais no corpo, / sensação é de urgência.
Boca seca, num instante, / noutro, a saliva / toda intensidade...
Vazio no estômago, / suspiro. / Ansiedade!
associações livres [22fev03]
Linhas tortas, / não mortas / pança, balança / quebro, requebro /morto, absorto.
Carinho, ninho. / Moinho, caminho.
Poema em linha reta. / Pessoa, poeta
Mistério, sério. / Careta, sorriso
Piso, teto, reto, torto... / De novo torto, / mas não morto.
Vivo, aceso, fogo, vela... / Chama, reclama.
Balança, pança. / Praça, poço, moço.
Papo cabeça. / Moço, poço, fundo.
Balde, sem rima. / Obra prima!
Carinho, ninho. / Moinho, caminho.
Poema em linha reta. / Pessoa, poeta
Mistério, sério. / Careta, sorriso
Piso, teto, reto, torto... / De novo torto, / mas não morto.
Vivo, aceso, fogo, vela... / Chama, reclama.
Balança, pança. / Praça, poço, moço.
Papo cabeça. / Moço, poço, fundo.
Balde, sem rima. / Obra prima!
o ser e o nada [22fev03]
Hoje sou mais ou menos... / menos mais do que menos.
Hoje sou pouco, / sou nada. / Não sou? Ou ainda sou?
Ontem fui menos, mais ainda. / Chorei sem saber onde ficar... / pensei em sair do meu lugar / fiquei parada, imobilizada. / Ontem fui pouco ou quase nada.
Não sei se posso estar aqui / ou se devo andar outros caminhos. / Não há escolhas quando o rumo é o beco sem saida.
Quem já fui? Quem ainda sou? / Será que já fui algo? Ou o sou? / Hoje não sei se sou, ou se serei.
Hoje sou pouco, / sou nada. / Não sou? Ou ainda sou?
Ontem fui menos, mais ainda. / Chorei sem saber onde ficar... / pensei em sair do meu lugar / fiquei parada, imobilizada. / Ontem fui pouco ou quase nada.
Não sei se posso estar aqui / ou se devo andar outros caminhos. / Não há escolhas quando o rumo é o beco sem saida.
Quem já fui? Quem ainda sou? / Será que já fui algo? Ou o sou? / Hoje não sei se sou, ou se serei.
a dor de amar [21fev03]
aprendi que amar / tem tanto de alegria / quanto de dor
tem menos de receber / e muito de dar / tem o sofrer / além do sorrir...
Amar tem diferentes modos de ser... / todos despertam fogueiras, / acordam temores, / não deixam dormir.
Amar e dar, o um e o outro, paixão... / Amar e dor, o outro, o ter ou não ter...
Amar sofrer, temor do fim... / Amar sorrir, calor e paz... / Amar amar! o amor, o ser...
tem menos de receber / e muito de dar / tem o sofrer / além do sorrir...
Amar tem diferentes modos de ser... / todos despertam fogueiras, / acordam temores, / não deixam dormir.
Amar e dar, o um e o outro, paixão... / Amar e dor, o outro, o ter ou não ter...
Amar sofrer, temor do fim... / Amar sorrir, calor e paz... / Amar amar! o amor, o ser...
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